Brasil exporta empreendedorismo

Projeto Empreendedor, parceria entre Sebrae e associações comerciais, é levado para Moçambique, Chile, Colômbia e México; empresários estrangeiros conhecem núcleos do projeto em Santo André

19/11/2008
Há um novo item na pauta de exportações brasileiras: empreendedorismo. Esse é o teor dos acordos de transferência de know how assinados nesta semana entre a Confederação das Associações Comerciais do Brasil (ACCB) e entidades correspondentes do México, Colômbia, Chile e Moçambique, países que começaram a implantar núcleos do Projeto Empreender, parceria do Sebrae e associações comerciais de todo o País criada em 1991 com o objetivo de organizar empresários de um mesmo segmento em núcleos setoriais, para discutir problemas comuns e traçar soluções conjuntas que beneficiem todo o grupo.

Representantes desses e outros países participam da 13ª edição do Encontro Internacional de Empreendedores, que ocorre em São Paulo entre os dias 20 e 22, e aproveitaram para conhecer na terça-feira (18) a atuação de empresas que participam dos núcleos do Empreender em Santo André, no ABC paulista. A visita começou pela manhã, com um encontro na Associação Comercial e Industrial de Santo André (ACISA), onde o projeto foi apresentado a um grupo de 22 empresários e representantes de associações comerciais de Moçambique, Uruguai, Chile, México, Colômbia e Paquistão.

“O Empreender é muito bem recebido entre os países. A própria África do Sul, país líder no continente africano com quem também temos acordo, apresentou o programa no encontro regional do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD) e seis outros países se interessaram pelo projeto”, conta o coordenador nacional do Empreender, Carlos Rezende. Na África do Sul já foram implantados 15 núcleos desde o ano passado e mais de 70 técnicos já foram qualificados para multiplicar as ações do Empreender.

Entre os países que assinaram o documento, Rezende conta que o mais desenvolvido na implantação é Moçambique, que renovou o acordo. “Por causa de um trabalho realizado anteriormente por uma instituição da Alemanha, encontramos em Moçambique um ambiente extremamente favorável à implantação do Empreender”, diz.

De acordo com a vice-presidente da Associação Comercial, Industrial e Agrícola de Nampula (Aciana), Ermelinda Josefina Domingos, participam da versão moçambicana do Empreender 496 empresas divididas em 16 núcleos dos setores agrícolas e de prestação de serviços. Nampula é uma província ao norte de Moçambique com três milhões de habitantes. Proprietária de uma carpintaria e coordenadora do núcleo do setor, ela destaca o associativismo como ferramenta de sucesso do Empreender: “Há interação e entendimento de que vamos identificar problemas em comum e que juntos vamos superar esses problemas. Onde há competição, há desunião. Isso não ocorre no Empreender. Por exemplo: minha empresa recebeu uma encomenda e só estou aqui no Brasil porque um colega está supervisionando o pedido”, conta Ermelinda.

Na Colômbia, o acordo, que está sendo renovado, já promoveu a capacitação de 15 técnicos e a formação de dois núcleos: artes gráficas e tecnologia, principalmente empresas criadoras de softwares. “O interessante da Colômbia é que foi assinado um acordo com uma entidade nacional, a Confederação Colombiana de Câmaras de Comércio, que, além de representativa dos empresários, exerce a função também de junta comercial”, conta Rezende.

No Chile, que assina o primeiro acordo de cooperação, a parceria foi firmada com o Serviço de Cooperação Técnica (Sercotec), instituição do Estado criada para desenvolver as micro e pequenas empresas no país, e com a Confederação Nacional das Micro, Pequenas e Médias Empresa do Chile (Conapyme). O objetivo é implantar núcleos nos 15 departamentos do país ao longo de três anos, em uma média de cinco por ano. No México, a previsão é que sejam instalados dois núcleos iniciais: um de podólogos e outro de turismo, reunindo empresários ligados ao Roteiro da Tequila.

Fonte: Sebrae SP

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